Guia
Como ver a ATM na tomografia (TCFC) — e quando você precisa de ressonância
A tomografia computadorizada de feixe cônico (TCFC) mostra em 3D as partes ósseas da articulação temporomandibular (ATM): o côndilo, a fossa mandibular (glenoide), a eminência articular e o espaço articular entre eles. Ela não mostra o disco articular nem líquido na articulação — para isso é preciso uma ressonância magnética (RM), que o Ossidex também abre. Primeiro confira se o campo de visão inclui os dois côndilos; depois gire os planos da MPR para acompanhar o longo eixo de cada côndilo e percorra-o corte a corte.

A sua TCFC inclui as articulações?
A declaração de posicionamento da AAOMR e da AAOP sobre imagem da ATM pede que o campo de visão cubra pelo menos o côndilo, a fossa mandibular e a eminência articular, e que as duas articulações sejam examinadas, porque muitas alterações da ATM são bilaterais. Um campo de visão pequeno, feito para alguns dentes, pode nem chegar às articulações: percorra os cortes axiais dos dentes para cima e confira se os dois côndilos e as fossas estão completos. A declaração também recomenda examinar as articulações com os dentes em máxima intercuspidação; se o paciente mordeu um bloco de posicionamento, leve isso em conta antes de avaliar a posição do côndilo.
Passo a passo: a ATM no Ossidex
- Abra a MPR. Importe o exame, abra a série de TCFC com cortes finos e passe para a reconstrução multiplanar (MPR): planos axial, sagital e coronal com cursores cruzados vinculados (Pro nos seus próprios exames; treine os gestos na TCFC de demonstração embutida).
- Encontre o côndilo no axial. Percorra os cortes até o nível em que a cabeça do côndilo fica mais larga no sentido látero-medial e coloque o cursor no centro dela.
- Alinhe os planos com o côndilo. O longo eixo do côndilo é oblíquo, então os planos padrão o cortam em ângulo. Gire as linhas de referência na vista axial para que uma acompanhe o longo eixo e a outra o cruze em ângulo reto: o plano ao longo do eixo é o coronal corrigido, e o plano perpendicular a ele, o sagital corrigido.
- Mantenha o slab fino. Deixe a espessura do corte (slab) no mínimo para ver o contorno cortical; um slab espesso em MIP projeta o osso vizinho em uma só imagem e pode esconder pequenas alterações de superfície.
- Percorra todo o côndilo. Avance pelo sagital corrigido do polo lateral ao medial e depois pelo coronal corrigido de frente para trás. Uma alteração pode aparecer em poucos cortes.
- Meça os dois lados do mesmo jeito. No corte sagital corrigido central, use a régua para os espaços articulares anterior, superior e posterior, e a ferramenta de ângulo para inclinações como a da eminência articular. Repita todos os passos no outro côndilo.
- Confira a forma em 3D. Use a predefinição de osso e o plano de corte para ver a forma e a simetria dos côndilos. O osso cortical fino pode sumir na vista 3D e deixar falhas que não existem, então avalie as superfícies nos cortes.
O que o Ossidex não faz: não há protocolo automático de ATM. Você orienta cada côndilo manualmente, mede os espaços articulares à mão, e os dois lados não são organizados lado a lado automaticamente.
Termos que aparecem no laudo de ATM
Os laudos costumam seguir os critérios de análise de imagem desenvolvidos para os Critérios de Diagnóstico para Pesquisa das DTM (RDC/TMD; Ahmad et al., 2009):
| Termo | O que descreve |
|---|---|
| Aplainamento | Uma área plana no côndilo, na fossa ou na eminência, que normalmente são arredondados |
| Esclerose subcortical | Uma faixa de osso mais denso, mais clara, sob a superfície articular |
| Erosão | Uma interrupção no contorno cortical |
| Osteófito | Uma projeção óssea na margem, muitas vezes na face anterior do côndilo |
| Cisto subcortical | Uma área arredondada escura sob a superfície — não é um cisto verdadeiro |
| Posição condilar | Côndilo concêntrico, anterior ou posterior na fossa, avaliado pelos espaços articulares |
Nesses critérios, erosão, cistos subcorticais, osteófitos e esclerose generalizada indicam osteoartrite, enquanto aplainamento ou esclerose localizada isolados são classificados como indeterminados e muitas vezes interpretados como remodelação. Um espaço articular estreito ou um côndilo posicionado posteriormente às vezes é visto como sinal indireto de deslocamento do disco, mas a TCFC não mostra o disco, e côndilos não concêntricos são comuns em pessoas sem sintomas.
A interpretação cabe a um profissional treinado. Esta tabela explica termos de um laudo; não é um roteiro de diagnóstico. O laudo do radiologista continua sendo a interpretação, e o Ossidex exibe e mede imagens sem interpretá-las.
RM de ATM: o disco e o líquido articular
A ressonância magnética é o único método de imagem que mostra com confiabilidade onde está o disco articular. Na suspeita de deslocamento do disco, a declaração da AAOMR/AAOP recomenda imagens em densidade de prótons ou ponderadas em T1 com a boca fechada e aberta, em planos sagital e coronal corrigidos, além de imagens ponderadas em T2 quando há suspeita de derrame articular; nem a TCFC nem a tomografia médica mostram derrame. As imagens de boca aberta mostram se um disco deslocado volta ao lugar e quanto o côndilo se desloca.
No Ossidex, cada aquisição é uma série própria. Coloque as séries de boca fechada, boca aberta e T2 lado a lado em um layout com vários painéis (Pro) e navegue em cada uma até a mesma articulação. Não há ferramenta específica para RM de ATM: o Ossidex não pareia os cortes de boca aberta e fechada nem marca o disco. Muitas séries de ATM são 2D, com poucos cortes por articulação, então leia-as no próprio plano; a MPR exige uma série volumétrica.
Qual vista responde a qual pergunta
| Pergunta | Melhor vista |
|---|---|
| Contorno do côndilo, erosões, osteófitos | TCFC, sagital corrigido |
| Polos medial e lateral, largura do côndilo | TCFC, coronal corrigido |
| Orientação de cada côndilo, comparação entre os lados | TCFC, axial |
| Forma geral, assimetria | TCFC em 3D, confirmada nos cortes |
| Espaço articular, posição condilar | TCFC, sagital corrigido, com os dentes em oclusão |
| Posição do disco, deslocamento com ou sem redução | RM com a boca fechada e aberta |
| Líquido na articulação (derrame) | RM ponderada em T2 |
A radiografia panorâmica mostra os dois côndilos como parte da visão geral, mas distorce a forma deles e deixa passar muitas alterações ósseas, sobretudo na face anterior do côndilo. Veja mais em radiografia panorâmica vs TCFC e no visualizador de radiografia panorâmica.
Informações de imagem conferidas nas fontes abaixo em 29 de setembro de 2026.
Perguntas frequentes
A radiografia panorâmica mostra a ATM?
Mostra os dois côndilos e pode servir como primeira avaliação, mas distorce a forma deles e tem baixa sensibilidade para alterações ósseas. A TCFC mostra o osso em três dimensões; a RM mostra o disco.
Minha TCFC inclui a ATM?
Só se o campo de visão alcançar os côndilos. Percorra os cortes axiais dos dentes para cima: os dois côndilos devem aparecer dentro das fossas.
Dá para ver o disco na TCFC?
Não. A TCFC não mostra o disco nem líquido na articulação. A posição do disco exige RM.
O Ossidex compara automaticamente a RM de boca aberta e fechada?
Não. Abra as duas séries lado a lado em um layout com vários painéis e escolha você mesmo os cortes correspondentes.
A versão gratuita basta?
O download é gratuito: você importa qualquer exame, navega pelos cortes em 2D, ajusta janela/nível e faz medições, e uma TCFC de demonstração embutida libera todas as ferramentas para você testar. MPR, 3D, o arco panorâmico, layouts com vários painéis e exportação ilimitada fazem parte do Pro, uma assinatura opcional com renovação automática, com preço exibido na App Store do seu país. Os planos corrigidos da ATM e a RM em vários painéis exigem o Pro nos seus próprios exames.
Fontes
- Mallya SM et al. Recommendations for Imaging of the Temporomandibular Joint. Declaração de posicionamento da AAOMR/AAOP. J Oral Facial Pain Headache 2023 (conferido em 29 de setembro de 2026)
- Ahmad M et al. RDC/TMD: development of image analysis criteria and examiner reliability for image analysis. Oral Surg Oral Med Oral Pathol Oral Radiol Endod 2009
- Ottersen MK et al. CBCT characteristics and interpretation challenges of TMJ osteoarthritis in a hand osteoarthritis cohort. Dentomaxillofac Radiol 2019
- Bianchi J et al. Radiographic interpretation using high-resolution CBCT to diagnose degenerative TMJ disease. PLoS One 2021
- Paknahad M et al. CBCT assessment of mandibular condylar position in patients with TMJ dysfunction and in healthy subjects. Int J Dent 2015
- Guo D et al. Orientation normalization algorithm for the mandibular condyle in small field-of-view CBCT. Dentomaxillofac Radiol 2025
- Verhelst PJ et al. Validation of a 3D CBCT-based protocol for the follow-up of mandibular condyle remodeling. Dentomaxillofac Radiol 2020
- Venkatesh E, Elluru SV. Cone beam computed tomography: basics and applications in dentistry. J Istanb Univ Fac Dent 2017
- Muneeb M et al. CBCT-based analysis of the anatomic characteristics of the articular eminence. J Craniofac Surg 2025
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